"O poeta é fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente" Fernando Pessoa
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quinta-feira, 31 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
E nenhuma explicação isso requer
Hoje me peguei sentindo saudades... De amores passados, de um afago, um abraço apertado, daqueles que deixa a alma meio que flutuando por uns instantes.
Protesto
Estou cansada!
De fingir o sentimento que nem tenho
E esconder a razão pra te tocar...
Cansei desta hipocrisia
Esta obrigação de ser apenas como querem
E eu?
Estou cansada!
De pensar em diferenças para entender os meus iguais
De complicar a minha vida com sinais
Que ninguém tem a intenção de decifrar
Estou cansada!
Está me matando ocultar a minha dor
E mascarar a verdade do que sou
Que danem-se as convenções
Eu quero mesmo é lhe falar de amor!
De fingir o sentimento que nem tenho
E esconder a razão pra te tocar...
Cansei desta hipocrisia
Esta obrigação de ser apenas como querem
E eu?
Estou cansada!
De pensar em diferenças para entender os meus iguais
De complicar a minha vida com sinais
Que ninguém tem a intenção de decifrar
Estou cansada!
Está me matando ocultar a minha dor
E mascarar a verdade do que sou
Que danem-se as convenções
Eu quero mesmo é lhe falar de amor!
O Sentimento

O deserto que cruzo no escuro
Me transforma em alguém que eu não conheço
Alguém melhor do que fui um dia
Eu cruzo meu deserto a pé
Ferida por esta solidão de antigos dissabores
Em companhia de fantasmas e ex-amores
Levada por estas pegadas desfeitas na areia
Eu cruzei o deserto sozinha
Como todo mundo vai fazer um dia
Embora o coração leve uma infinidade de almas
Eu me despi de tudo, mas o deserto é tão frio!
A pressença humana escassa, dói
A solidão, infortúnio dos peregrinos
o deserto está perto de lugar algum
O deserto que cruzo é tão desabitado
Mas tantas vozes me invadem
Miragens apenas, saudades quem sabe
Lágrimas não encurtam este caminho
Mas há oásis há poucas distâncias
O deserto que cruzo sozinha é quente
Como o fogo que arde em minha lembrança
Eu sinto falto de uma companhia
Para pisar nestas areias do tempo
Para fazer valer minha existência
Para que a minha alma ganhe o firmamento
O deserto que cruzo é o sentimento
segunda-feira, 14 de março de 2011
Sou eu quem parto

Por tanto tempo lamentei partidas
E maldizia quem ia
Chorando a dor de quem fica
Por tanto tempo ignorei motivos
Remoendo a insanidade de quem vai
E agora sou eu quem parto...
E deixo saudades acumuladas
Minha ausência anunciada evoca um vazio
Por tanto tempo imaginei indiferença
E quem partia, indiscutível carrasco
Nunca refleti motivações, sempre julguei culpados
E agora Parto...
No lábio sabor amargo
A sensação de que os pés se vão
Mas o coração permanece, fenece
E quantas vezes me senti sozinha
Angustiada pelos passos de quem ia
Imaginando que a dor do ficar
É tão mais tamanha que a do caminhar
E parto hoje...
Com o peito entorpecido, em chamas
Com o amargor de deixar quem se ama
Com o insuportável desejo de ficar
Ah! como errei!
Quem fica tem lembranças, esperanças
Quem vai, somente vai, pesaroso vai
E se cansa, mede distâncias,
Remói o passado, tão constantemente assombrado
Sou eu quem parto agora...
Sobressaltada por minha memória
Ardendo por dentro esta coletiva ausência
Fazendo presente os sorrisos soltos
As mãos vazias de carinhos alheios
Quem fica sofre, padece
Quem parte, ah! quem parte
Jamais se esquece!
sexta-feira, 11 de março de 2011
Eu, Madalena

Eta Madalena! Tu estás tão cabisbaixa, levanta-te daí e corre a fazer graça!
Corre ao quintal, colhe uma muda de coentro, que hoje tem torta de batata!Avisa a seu zé do leite que o meu azedou
Convida a Mariquinha e vai brincar lá na praça
Mas tire estes sapatos de sua vó Helena de Esparta
Penteia estes cabelos, que o vento vive a bagunçar
Conta-me os teus sonhos que eu te ajudo a sonhar!
Eta Madalena! O teu vestido é tão azul
Tão sereno feito olhos de um grego deus
A tua pele é tão macia que acalenta os dedos meus!
Corre ao encontro do sol, que ele te doura os cabelos
Corre ao encontro da chuva
E depois te aquieta num canto a remoer pesadêlos
Eta Madalena, inquieta flor de mim, menina moça agitada
Quando não se escuta sua risada, sua voz aveludada
prepara-te porque é o fim
Pois a moça Madalena, tão tranquila e tão serena
morre dentro de mim...
quinta-feira, 10 de março de 2011
Adeus
Estou fugindo agora
na noite fria de solidão
Meus passos tão incertos
Descrevem minha tristeza pelo chão
Tão certa estou que parto
que já encontro abrigo onde paro
Só vejo o desejo de ir embora
Esquecer os meus defeitos, as minhas insatisfações
Estou sozinha agora
E já não posso colecionar minhas ilusões
Estou sozinha sempre
Por isso fujo para alguma outra história
Onde haverá mais risos soltos pelo chão
Ou quem sabe, menos solidão...
na noite fria de solidão
Meus passos tão incertos
Descrevem minha tristeza pelo chão
Tão certa estou que parto
que já encontro abrigo onde paro
Só vejo o desejo de ir embora
Esquecer os meus defeitos, as minhas insatisfações
Estou sozinha agora
E já não posso colecionar minhas ilusões
Estou sozinha sempre
Por isso fujo para alguma outra história
Onde haverá mais risos soltos pelo chão
Ou quem sabe, menos solidão...
quarta-feira, 9 de março de 2011
Confesse
Você é engraçado
sempre soube de mim, do meu querer
E mesmo assim ri de mim, de minha timidez
Sempre sentiu prazer em me tocar
Dizendo-se amigo ao ver minha pele estremecer
Sempre cruzou o meu olhar, pra me conquistar
Mas me remete ao seu contexto, só amizade
Você é mesmo bobo
Prefere viver na eterna luta de conter este fogo
Esta brasa que nos arrasa, mas adormecida está
E fica me rodeando, vigiando meu caminhar
Você é mesmo louco
Pois me invade aos poucos
Sem se dar conta que - é óbvio
é do meu lado que pretende ficar!
sempre soube de mim, do meu querer
E mesmo assim ri de mim, de minha timidez
Sempre sentiu prazer em me tocar
Dizendo-se amigo ao ver minha pele estremecer
Sempre cruzou o meu olhar, pra me conquistar
Mas me remete ao seu contexto, só amizade
Você é mesmo bobo
Prefere viver na eterna luta de conter este fogo
Esta brasa que nos arrasa, mas adormecida está
E fica me rodeando, vigiando meu caminhar
Você é mesmo louco
Pois me invade aos poucos
Sem se dar conta que - é óbvio
é do meu lado que pretende ficar!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Bobagens
Marionetes e roedores...

Guardo em mim o desejo de ser cada vez mais madura, cada vez mais honesta, cada vez mais sensata e sincera, cada vez mais amiga, mais carinhosa, mais crente... cada vez mais! Não desejo, entretanto, cultivar em mim sentimentos que me aviltam, como rancor, ressentimentos, desilusões, inveja, mentiras, medo, insegurança, etc. O fato é que o dia-a-dia da vida moderna nos confronta com uma série de incertezas, nos faz inseguros, apressados, competitivos, desconfiados, estressados. É complicado manter uma posição equilibrada diante de tantas informações que chegam de todos os lados, de várias origens, de difentes motivações. Me parece cada vez mais difícil assumir uma personalidade em meio a tantas "tendências" que nos exigem um acompanhamento quase servil.
Sempre quando penso sobre essa realidade, imagino aqueles bonecos marionetes que, por mais desejos e sonhos que cultivem, estão sempre à mercê de linhas invisíveis, que lhes molda os atos. Assim também me sinto às vezes, perdida em passos que dei por motivações alheias ao meu desejo, oprimida por um sistema que me obriga a posições que não julgo necessárias à minha existência. Um certo "filósofo" conteporâneo disse: "minha piscina está cheia de ratos, minhas idéias não correspondem aos fatos". Ele, na ousadia e vigor da juventude, foi capaz de denunciar a opressão psicológica que o homem moderno sofre, tendo que se enquandrar o tempo todo em uma padrão comportamental, ideólogico, filosófico, religioso, artístisco, sei lá o quê mais! O certo é que eu não sou eu mesma, já não me caibo na infinita necessidade de ser aquelas outras que "eles" me impõem.
Minha piscina está cheia de ratos, porque penso diferente, porque não gosto de saia balonê nem calça saruel. Porque acho legal ir pra festa e voltar sem ter bebido ou fumado nada e ainda assim ter momentos com alta concentração de serotonina (hormônio responsável pelo bem estar e pelo prazer). Minha piscina está cheia de ratos, porque ainda acho importante ligar para minha mãe e dizer que já cheguei no destino anunciado, dizer aos meus amigos com frequência que eles são especiais, que são caros demais para mim, seja cara-a-cara, seja via scraps, msn, torpedos, twitter, face e outras possibilidades mais.
Eu não quero fazer parte dessa cultura do efêmero, que acha um mico conservar valores familiares, que acha demodê evitar desagradar os pais, ser responsável, fiel, leal! Eu não quero ser mais uma pessoa incapaz de dizer "estou sofrendo", "estou frágil hoje", "eu realmente estou arrependida", "eu penso diferente da maioria"... Falta coragem a uma geração que não conheceu a cautela para dizer te amo com a profundidade de um amor que transcende um corpo bonito, falta uma alma capaz de admirar a outra, mesmo que as duas jamais se enxerguem. Falta aquela paixão que faz tremer, desejar, possuir, mas que depois se metamorfoseia (nem sei se existe essa palavra) em algo mais bonito, mais sereno, mais ágape.
Sou uma reunião de muitas coisas que, no fim, são rótulos, tendências e comportamentos inseridos nos meu ser por pessoas que nunca dei bom dia. Tenho uma piscina entupida de ratos, pois as minhas idéias não correspondem ao que me ordenam todo o tempo, tenho um desejo extremamente paradoxal de ser diferente, de ser o que minha alma grita, de ser aquela que também está no teatro, mas aquela assiste e não aquela encena com fios invisíveis presos ao corpo.
Às vezes sinto medo de mim. Não que me considere um perigo aos alheios, mas, com medo, me digo o tempo todo: "cuidado para não descobrir o óbvio. Cuidado para não enxergar todos os 'nossos' defeitos, senão você deixa de crer que existe mesmo o homem".
Ah! se pelo menos houvesse mais gente interessada em conter os roedores...
Autora: Marilene Gonçalves
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
No primeiro dia

Meus amores, todos equivocados
Seguindo uma lógica imaginária
De detalhes de estórias nunca vividas
Me sinto em um quarto escuro
Nesta ausência de tudo, mudez absoluta
Apenas lembranças de um tempo quase feliz
Tantas pessoas neste mundo
E nenhuma cabe em mim, em minha solidão
Na paisagem desértica de meu coração
Tantas coisas ainda por dizer
Mas meus amores se calaram
Emudeceram a voz de uma razão imprópria
E eu - tão perdida - cada vez mais menina
Me sinto uma iniciante no primeiro dia
do resto de minha vida
Autora: Mari Gonçalves
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